“Magistrado” é uma palavra que compartilha origem com “Magistral”. Apenas juízes do Estado Brasileiro são chamados de Magistrados — assim, o som aqui é juiz e bate martelos, caralho! Não se sabe como isso foi conseguido, mas um dom é um dom e música é música: uma lei absoluta do universo, da qual... as músicas são togas que vestem os ouvidos até dos mais justos juízes.
Gênio é gênio. Schopenhauer explicou primeiro: “Talento é acertar um alvo que ninguém acerta. Genialidade é acertar um alvo que ninguém vê.” — mas pau-brasil no cu de Schopenhauer, aquele alemão pessimista. Genialidade só é o que é, não clama por reconhecimento nem distinção e por isso é genialidade. Clarice Lispector explicou muito melhor no conto “O Relatório da Coisa”.
Essa canção, composta e cantada quando tudo parecia ser apenas mais uma composição, se equipara a duas faixas que considero TITÂNICAS (jamais tirânicas, pois essa sim é uma anti-qualidade oriunda do TOC-OS) na história do Rock’N Roll. Essa graciosa canção (pois aquilo que tem graça é antítese daquilo que representa des-graça) está, em meu coração, lado a lado com “Dust in the Wind” – Kansas, cuja guitarra tocava em alguns dos momentos de maior clímax e catarse que vivi, enquanto assistia às histórias dos icônicos irmãos Dean e Sam Winchester, que dirigiam um Chevrolet Impala 1967 chamado Baby enquanto combatiam demônios e satanazes na série Supernatural. E lado a lado com “Tempos Perdidos” – Legião Urbana, que fora legado daquele homem que abençoou a cultura brasileira com seu nome: Renato Russo — que é brasileiro e que é Renato, mas que também, misticamente, é Russo. Dorogoy tovarishch!
Certo dia, identifiquei um diálogo entre elas — decidi colocar essas três canções na minha mesa e aplicar uma das ciências que mais amo na vida: hermenêutica. Não a bíblica, mas com toda certeza a musical (pois meu autismo transformou música em Teologia). Não há expressão artística que precise ou que se importe com uma página de documentação no GitHub, mas o registro fica: entendi essa faixa como se entende uma guitarra. Entendi o que a voz e as cordas precisaram de 8 minutos e 22 segundos para dizer. Uma ordem de titã é uma ordem olímpica: então fui lá e fiz.
Anseio então que a escrita desta resenha represente aquilo que, pelo amor e admiração ao Mjölnir do compositor, eu fiz — pois no dia em que a escuta acontece, também se compartilha algum tipo de palco.
— Thiago Patriota da Silva