
Prefácio
Trecho no original em português.
Este livro nasce de uma constatação brutal: existe uma linha direta entre o pânico de “não ser homem o suficiente” e o assassinato de mulheres. Não é metáfora. É mecanismo.
O Brasil registra cerca de 1.400 a 1.800 feminicídios por ano (FBSP, Anuário Brasileiro de Segurança Pública), com aproximadamente uma mulher assassinada a cada 6-7 horas. A maior parte desses crimes ocorre em contexto de violência doméstica e relacional, com histórico prévio de controle, ciúme patológico e agressão. Por trás desse controle, o que encontramos? Homens apavorados. Homens que precisam provar, para si mesmos e para o mundo, que são “super-héteros”. Homens que, no fundo, estão em guerra com a própria mente.
O título deste livro é deliberadamente provocativo: Melhor ser corno do que feminicida. Não é uma apologia à traição. É uma hierarquia moral de emergência. Se um homem precisa escolher entre a humilhação imaginária de ser traído e a monstruosidade de tirar uma vida, a escolha deveria ser óbvia. Mas não é. Para milhares de homens, a possibilidade de perder o controle sobre uma mulher, de ser “desrespeitado”, de parecer fraco, é mais insuportável do que a violência. Este livro existe para mudar essa equação.
Este é um laboratório. Um manual de desintoxicação. Um caminho para curar homens doentes antes que sua doença mate alguém.
Sources & references
The two references this book draws on.
Goethe-Institut · Humboldt
Sentiido: the Colombia 2016 case, when homophobic fear became an electoral strategy.
goethe.de/prj/hum/pt/dos/ang/21808279.html
OCD LA · SO-OCD (HOCD)
Subtypes and treatment of sexual-orientation OCD, a clinical reference going back to 1975.
ocdla.com/sexual-orientation-ocd-hocd-sub-types-treatment-1975