
Prefácio
Trecho no original em português.
Nota metodológica. Este livro é TEÓRICO. Não é um fato estabelecido. Não é comprovado pela ciência.
Este livro centra-se na mulher. Na companheira, na esposa, na namorada, na mãe de filhos, na sobrevivente. A mulher que o sistema clínico descreve como “a parceira” — personagem passivo, coadjuvante. Aqui ela é protagonista.
A hipótese central é simples: quando uma mulher entende que seu parceiro é prisioneiro do medo constante de ser homossexual, ela deixa de ser a causa do sofrimento dele e passa a ser testemunha de uma doença. Essa distinção é libertadora. Não porque ela passa a ter pena dele — pena não é libertação. Mas porque ela percebe: o problema nunca foi ela.
Esta é uma hipótese de trabalho. Não há estudos longitudinais sobre mulheres parceiras de homens com SO-OCD. Toda a literatura existente foca no homem. O que se segue é inferência clínica, observação de padrões relacionais, e articulação entre literatura de violência de gênero e literatura de TOC. Probabilidade estimada de erro, na forma atual: ~55–65%. Mesmo assim publicamos — porque as mulheres não podem esperar décadas por estudos controlados para ter um nome para o que estão vivendo.
Esta teoria deve ser testada, refinada, corrigida. Ela não substitui diagnóstico clínico, não substitui tratamento profissional, não substitui a escuta das vítimas e dos sobreviventes. É um convite ao debate, à pesquisa, à validação — ou à refutação.
Se você é pesquisador, clínico, jurista ou ativista: este material é para ser desmontado, criticado, melhorado. A verdade não tem dono. A cura não tem ideologia.
Sources & references
The two references this book draws on.
Goethe-Institut · Humboldt
Sentiido: the Colombia 2016 case, when homophobic fear became an electoral strategy.
goethe.de/prj/hum/pt/dos/ang/21808279.html
OCD LA · SO-OCD (HOCD)
Subtypes and treatment of sexual-orientation OCD, a clinical reference going back to 1975.
ocdla.com/sexual-orientation-ocd-hocd-sub-types-treatment-1975